Monday, February 28, 2011

E a luz persiste.

Cores imóveis, cabeças pensantes.
Um caos de neurônios.
Um mundo de sonhos.

A busca do inalcansável nas calçadas.
A luz que não se apaga.
No lugar que ninguém se afaga.

Um consciente sem consequência.
Um quadro sem entendimento.
Um caminho só no desenho.

Mesmo sem estar lá,
Não persiste.
Apague-se.
Ou apague essa luz!

Listening d*_*b Moving / Supergrass


Tuesday, November 23, 2010

No balanço da noite...

Olhando pra todos os lados há um 'mix' de sorrisos e de olhares dispersos.
Todo mundo cantando sem saber a letra.
Estranhos com objetivos comuns embutidos nos gestos e os individuais ocultos no andar.
Garrafas e goles perto de quadris se entrelaçando conforme a música.
Nem sempre ritmados, mas sempre entusiasmados.
Estranhos compartilhando anseios, desejos e angústias.
Acompanhados ou sozinhos.
Entre amigos ou entre as cadeiras.
Cada qual da sua maneira.
Cada um no seu perímetro delimitado pela timidez ou ultrapassado pela embriaguez.
Esse é o momento de não pensar em nada e ao mesmo tempo refletir o mundo.
Encostar as expectativas no fundo do copo e sonhar com um dia seguinte aliviado, mesmo sabendo que o alívio estará na aspirina da ressaca.

So, let's drink!

d*_*b Listening Doobie Brothers/ Listening To The Music

Monday, August 23, 2010

Gira-mundo do caos.

Ser contraditório nesse mundo multifacetado chega a ser clichê.
Ontem de um jeito. Hoje, outro.
Os sentidos mudam constantemente, o tempo todo, todos sabem.
Não falaram nunca que seria fácil, mas o que dizer de tudo que se vê?

O que os dias dizem?

Impotência diante do caos.
Vontade de abdicar e desistir da crença tola de ser um ser comum.
Aquele que projeta, paga as contas, sonha, paga as contas, segue adiante, paga as contas.
O dinheiro movendo todos os passos, realizando todos os movimentos, confundindo almas, vendendo gente e manipulando conquistas.

Difícil ter que concluir sem, sequer, iniciar.
Enquanto as horas e horas do precioso tempo se divergem em escravidão mental,  esforço corporal e lavagem cerebral.
Oferta de livre arbítrio é utopia.
E o pouco dele parece até inatingível por grande parte da massa.

O cansaço e o sofrimento transparecem, simplesmente, pela expressão estampada nos rostos dos perdidos das ruas por aí.
A nitidez de um excesso sem função.
E da falta na precisão.
E é desse bolo que sai a soma da maioria que resulta na média onde a sobrevivência é a única preocupação.

O gira-mundo frenético em busca dos míseros trocados.
Que mal entram e já saem, sem a sobra pro lazer, sem a fartura no prato, sem o ouvido satisfeito.

O corpo cansado e a alma infeliz.
E a certeza do funeral garantido e do sepultamento gratuito.

Que diacho de vida é isso? Será isso digno se ser designado como opção?

A paciência passa a ser parte do falso discurso moralista.
Principalmente no dicionário daqueles que não sabem o que é isso.
Quem disse que só o sacrifício leva as pessoas para onde elas realmente querem?

Vivenciar a cena em que as vidas estão sendo levadas e aceitar isso, serenamente, seria como presenciar um suicídio coletivo.

Nos dias difíceis, a repetição é um fardo.
Não há nada normal...
A rotina se torna a areia que incomoda os olhos semi-abertos e as colunas esmagadas daqueles que tem como testemunha somente o próprio suor.

Só torcemos para que o próximo dia chegue e as angústias sejam disfarçadas pelos sorrisos tímidos de quem não pode mais chorar e não aguenta mais reclamar.

d*_*b Listening Try / Janis Joplin

Friday, July 23, 2010

Disritmia.

Das adversidades saem as soluções que vão se encaminhando através dos sinais universais e naturais.
Nada se perde entre as buscas incessantes, entre noites pensantes e entre copos de amantes.
Do submundo desconhecido do inconsciente até a realidade estampada nos objetivos, há o tempo em que as ruas 'desbifurcam' resultando numa reta.
A sensação de encontrar o ritmo do passo, mesmo distante do ângulo do quadril, já é quase o desfecho para uma boa dança.
O resto, os 2/3, ficam para as próximas curvas, para as próximas suspiradas profundas e balançadas de cabeça desconfiadas com olhar infinito espalhado pelas janelas por aí.

Quando que o que importa é não se intimidar pelas indagações cotidianas, fazendo delas, aliadas, e seguir desviando das inconvêniências teimosas que cruzam o meio-fio.

Na destreza dos movimentos e no compasso desritmado da música, se perder no meio, não importa.
O importante é se achar no tempo e dançar até as pernas não aguentarem mais.
Afinal, saber dançar perfeitamente, seria muita pretensão.



Listening d*_*b Duke Ellington & John Coltrane / In A Sentimental Mood

Wednesday, May 19, 2010

No currículo da vida...


Ainda que o tempo pareça correr,

E as coisas pareçam se perder e se achar constantemente dentro dele,

Ser feliz ainda é a meta universal pelo curto espaço de tempo permitido.


Antes que o que já não tem sentido, se perca por si só.

Por mais que a sensação perdure, nada se perde no mundo das infinidades de resultados.

Os quesitos a serem preenchidos para o currículo “Vida Feliz” são muito vastos.

O tal do Currículo 'Vitae' (do latim, trajetória de vida).

Coincidência? Ou não. Com certeza, não.


Você tem um curso, mas não tem outro.

Você fala línguas, mas nem todos entendem.

Você tem experiências, mas não consegue comprová-las.

Aquelas experiências boas, aquelas nem tanto.

Mas na certa, você aprendeu com todas elas, mas é o único quem sabe de todas as peripécias.


Você diz uma mentirinha, pra inflar a coisa, e depois até consegue arcar com ela.

Vê que se fizer demais, também pode se prejudicar, pois, elas são necessárias em alguns itens, mas totalmente dispensáveis em outros.

Selecionar a necessidade pra certas atitudes é um dom.


E na maioria das vezes, você tem a melhor coisa pra ser selecionado pra felicidade, que é A VONTADE.

A vontade que te impulsiona.

A vontade que te faz sonhar.

A vontade que te faz agir.

A vontade que te faz buscar.

E ela segue no ritmo do tempo.

O único que pode mostrar onde seu CV vai se encaixar por esse mundo afora.


Agora, pra ele chegar lá, em algum lugar, você precisa enviar.

E de um currículo, você faz um livro escrevendo a sua história.

Já começou?


Listening d*_*b Milton Nascimento / Outro Lugar


Friday, March 05, 2010

Saindo...

Sair pela janela é mais fácil do que escapulir pela porta.
A falta será a mesma, percebida por sua ausência, mas a maneira da saída pode distinguir porque saiu.
Pode definir se vai voltar.
Pode revelar se vai voar.
Cada um escapa pela janela que prefere.
Por aquela que ilude a omissão.
Por aquela que você finge se esconder.
Se sair por aquela qual chama atenção, vai dar oportunidade pras outras saídas serem despercebidas, não doloridas.

Chamar a atenção pode ser sinal de que você quer fugir deixando rastros.
Dali pode ser correndo, pode ser saltando, pode, simplesmente, compassando.
Pode ser silenciosa, pode ser artística, pode ser acrobática ou pode ser mística.

Alguém vai sentir sua ausência.

O pior de tudo é quando olhares pra si e sentir a própria.
Pois na casa há janelas, mas há portas.
E enquanto você sai, muitos entram.

Ninguém pode impedir alguém de escolher por onde quer entrar ou por onde quer sair.
Até porque, todos tem suas próprias casas.

d*_*b Listening Tim Maia / Deixa

Monday, December 28, 2009

ReNOVAndo!



Festas.


O povo acorda: compras.
Almoça: compras.
Janta? Compras.
Fila é o regimento que impera para a civilidade.
Caos.
O desespero de achar aquele procurado ‘souvenir’ ideal.
O mercado é o centro da bolsa de valores.
E a loucura se instala.

Superprodução na mesa.
A maquiagem combinando com o sapato.
E depois das 23h59, na 00h01, os copos estão cheios.
Hora de pensar. Hora de refletir.
Ver que acima de toda essa reviravolta, um abraço vale mais que um embrulho.
Um simples pensamento bom é a entrada para o prato principal.
E o coração é a taça das emoções.
Pensar que os frutos do melhor que podias plantar estas colhendo.
E que todos os dias é um dia novo.
Cada segundo das 24 horas desses próximos dias, a vida se transforma e tudo pode acontecer.
As melhores chances, as mais difíceis escolhas, as decepções e as realizações.
A vida é que vira uma grande liquidação, onde temos as opções e chances pra escolher e pagar pra ver.

Os sonhos são cada vez mais possíveis e a humanidade não tem limites.
Num mundo utópico, mas talvez possível, onde as pessoas possam torcer mais pelas outras e terem menos medo de serem felizes.
Sem medo de fugir dos padrões.

Compreendam que os corações são movidos pelos duelos entre sentimentos e razão, e que nem sempre se acerta ao seguir qualquer um deles.
Compreendam que a felicidade é uma oportunidade, um momento, uma conseqüência de que se fez o que se quis.

E assim, eu deixo minha mensagem de boas várias e várias festas!
Pra que elas não sejam só feitas de renovação do guarda-roupa, mas sim de renovação interior.
Onde a saúde e o amor caminhem lado a lado em mais um ano que nos ensinará a desvendar os mistérios da vida através das batalhas diárias desse mundo louco e lindo.


Supere-se!


Um Lindo 2010!
Listening d*_*b Listening To The Music / Doobie Brothers

Monday, December 07, 2009

Ah, sim... As decepções!


Nos últimos tempos, semanas ou dias.
Ou, simplesmente, nos últimos capítulos, o processo de reparação de sentimentos das pessoas anda bastante conturbado.
A teoria da atração pelo caos.
A constante cena de abatimento pelas decepções.
Ah, sim... As decepções!

Tão presentes no cenário da vida complicada das relações de hoje.
Essas que nos arrasam, que nos tiram o chão, o céu, a saliva do paladar.
Delas vem muitas coisas, quais não sabemos lidar muito bem.
Delas vêem as depressões, vêm as insônias, vem a fome ou vem a falta dela.
E, principalmente, aquela seqüela de que nunca mais seremos os mesmos depois.
De que dali pra frente, um novo ser se cria. Uma nova visão de tudo se constrói.
O que diverge em seus dois lados. Como sempre.
Aquela visão de que o sofrimento te fez mais forte, mas ao mesmo tempo menos humano.

Mas no fundo, de quem é a culpa das decepções?
É difícil dizer, porque é difícil aceitar.
As decepções vêm das ilusões criadas por quem?
Você sempre espera de alguém o que esse alguém não pode te dar.
E quando te dá, não é do jeito que quer.
Sim, a pretensão é sua. Mas sua culpa vem com desconto. Lembra: você é ser humano.
E ser ser humano é ter um grande álibi.

O sofrimento, muitas vezes é opcional.
Da proporção do nosso mundo de sonhos.
E quando se entende isso, as decepções são menores, menos frustrantes, menos doloridas.
Elas não deixarão de existir. A não ser que você opte em não esperar nada de ninguém.

O que não é tão simples assim não.
E não esperar nada de ninguém, seria não esperar tanto pro positivo quanto pro negativo.
Sendo que não esperar pelo positivo é viver sem ter graça de sonhar.
Com o tempo, a gente percebe que, inicialmente, se iludir é opcional.
Depois é inconsciente escolher o caminho que menos doer, mesmo se ele for o menos feliz.

Daí a gente se transforma nessas pessoas que têm de monte por aí.
Os 'corações de pedra', os 'sem alma', os 'desacreditados'.
São inúmeros.
Que vão desvendando essa vida misteriosa, estranha e confusa.

Mostrando e aprendendo que a busca da felicidade é eterna.
Queremos ser felizes, e não sentir dor.
Será que é possível?


Listening d*_*b Milagreiro / Cássia Eller & Djavan

Friday, October 30, 2009

Feliz... Cidade!


Parabéns por ter nascido!
Talvez ficar mais experiente é pensar que daqui há 2 ou 10 ou 30 anos, muitas coisas mudarão.

Crianças nascendo, idosos morrendo.
Guerras e jogos mundiais, fome, desenvolvimento sustentável.
Quantas mais mil vezes eu ouvirei falar de efeito estufa ou de crise no senado?
O que o mundo terá mudado na minha vida?
O que eu terei feito para mudar o mundo?

Desemprego, emprego.
Viagens, contenção de despesas.
Decepções e risadas.
Cerveja, água.
Filhos, cachorro.
Ressaca, churrascos.
Shows, filmes, música, parques.
Praia, cerrado. Caminhadas, semáforos.
Dinheiro pro fim de mês, mês pro fim do dinheiro.
Iphone, relógio de parede.

E o tempo vai passando.

A gente olha pra trás com a sensação de ter feito o melhor, ou de ter tido a oportunidade de ter feito mais.
Olhando pra frente com a esperança de que sempre vai melhorar, mesmo olhando pra trás mais um bilhão de vezes e vendo o quanto já se foi feliz.
Mas a felicidade nunca é um estado permanente.
Tem que se aproveitar dela quando está por perto.
Pensando assim é mais fácil pra se conformar.
Vamos caminhando a cada ano tentando trombar mais vezes com ela.
Aos poucos vamos nos desencontrando das dores, quais já aprendemos a absorver com os pés descalços, escorregando, caindo e levantando.
Como aquele grande porre que a gente nunca esquece.
E vai dando aquela impressão de que a vida vai ficando mais rica.
Mesmo quando as coisas não tem tanto sentido, a gente vai aproveitando os seus mais íntimos detalhes.
Optar por nós vai se tornando a idéia principal do roteiro.
E vai ficando aquela impressão mesmo...
De que o gosto vai ficando mais refinado.
De que os verdadeiros amigos vão sendo selecionados.
De que a família vale mais do que você já percebeu.
De que as batalhas e lutas vão tendo resultado e chegando mais perto.
De que os objetivos vão sendo cumpridos fugindo das regras.

Rumos tranversos, paradeiros diversos.
E as metas nunca terminam, porque quando terminarem, pra que fazer aniversário?

Há 25 anos atrás, eu tava esperniando pro mundo.

Se fosse fácil, a gente não nascia chorando...Mas hoje, percebo que a vida é o mistério que eu quero tentar desvendar por muitos e muitos aniversários ainda.
Mesmo sabendo que eu nunca vou conseguir, porque eu sou uma simples peça do universo humano, o prazer de poder tentar já faz a vida valer a pena.

Parabéns pra mim, pra você e pra nós!
Listening d*_*b Groove Armada / My friends

Monday, August 24, 2009

Diante do túnel.



A oscilação é uma constante.
Impossível viver no mesmo patamar por mais que os instintos positivos queiram se sobressair.
Por que é assim?
Será que a vida precisa ser padronizada à mesmice dos fatos e confusão dos sentidos?
Quando se preparar para surpresas?
Quando se preparar para as mudanças?
Ao mesmo tempo que tudo é confusão, algumas coisas não mudam nunca.
E saber disso pode mudar muita coisa.
E se for diferente, quem vai credibilizar?

Simplesmente é ou não.
Mas a gente tem teimosia. E o simples se complica.
A cisma do bendito lado de dentro dessa máquina chamada coração.
É tão dificíl simplesmente ser.
É tão constante simplesmente não acontecer.
Talvez a recusa seja mais fácil.
O não é sempre a certeza, enquanto que o sim é sempre a ilusão.

Melhor não parar para ver isso.
Melhor seguir esquecendo.
Melhor se deixar ser encontrado, do que tentar encontrar.
Melhor ser um acidente que espera pra acontecer.

De certa forma a gente tem o direito da escolha.
Escolha de entrar sem saber.
Escolha de sair por querer.
E no final, tudo é acidente.

Pra que insistir ficar parado se você pode ser e acontecer?
No final das contas, a gente entra no túnel e nem sabe quem virá do outro lado na contramão.
Uma hora, o acidente acontece.
É só continuar com o pé na estrada, mesmo que isso não seja novidade.


Listening d*_*b The Smashing Pumpkins / 1979

Thursday, June 18, 2009

Esconde, esconde.


As coisas nunca tem total sentido de ser ou de acontecerem.
Isso será assim sempre e pra tudo e pra todos.
Sentido é rumo, e rumo é regra, e regra é chato.
Descarte.

Lide com o sentir e não com o sentido.
Algo só pode ser importante, se for compartilhado.
Algo só é realmente válido, se fizer-se valer. Senão, descarte.
Ninguém pode ser maior que sua vontade de ser ou estar do jeito que melhor entender.
Ninguém é dono da sua felicidade.

No fundo, tudo é bem mais complicado do que parece, mas o mundo te fornece esquinas e vielas pra sair caminhando quando as avenidas estão muito conturbadas.

E os desvios... Não descarte!

Pelos desvios você descobre como chegar nas melhores saídas.
Bom dia, boa tarde, ou simplesmente boa.
As portas e saídas do tempo também contam.
A noite sempre será a melhor de todas porque é ela quem traz o sol do dia e oculta todas as angústias.

E vem o dia...
E como é bom se esparramar no dia.
E lembrar que se é maior do que pensa.
E lembrar o gosto de gostar viver.
O gosto do sorriso.
E não importa que amanhã seja só resultado de um sonho.
O que importa é sentir, dividir pra multipicar.
Importa é esperar só de si próprio. E chegar perto.
Ter competência pra ser feliz.
Esperar de si a mutação cotidiana de quem se transforma em mil pra alcançar as melhores formas de seguir adiante.
O mundo gira, e os pensamentos constroem as muralhas.
E serão especiais aqueles que conseguirem se achar.

Será que é mesmo tão difícil assim?

Listening d*_*b Audioslave/ The Last Remmaining Light

Wednesday, May 06, 2009

Cinzas.

Quando você chega à exaustão de tudo que você já tentou o que você faz?
As coisas parecem não mudar.
O dia parece não dar cor ao sol e vice-versa.
A noite tem uma lua que não pode ser admirada.
O som do silêncio ecoa uma saudade distante.
De quem não tem mais pra onde recorrer no alto das montanhas.

O que é o limite pra quem já passou dele?

É o vento que sopra sem sentir.
É a areia se tranformando em sólida rocha.
Que desce barranco abaixo sem piedade.
A pedra que rola sem ponderação.
São palavras expelidas por quem já não sente mais o efeito delas ou não sabe o que diz.
O que foram palavras doces, hoje são notas que ferem.
E as formas perdem seu encantamento, mas continuam lá.
Como a rotina.
Como o telefone tocando.
Como os carros passando.
Como o coração batendo anêmico.

De que vale a genuidade de um toque, se o coração é gelado?
Se os olhares não se confundem? Se as mãos não se vêem?
O coração dói pelas coisas que não se fazem.
Dói mais pelas coisas que se fizeram.
E se desmancha pelas coisas que não serão feitas.
Mas continua batendo pelas memórias de quem a morte subexiste.

O que será da alma que não acredita em seu coração?
Qual é a sua motivação pra isso, quando você sabe que cada dia cinza que amanhece é ele que diz pra você que o sol não vai nunca mais ser o mesmo?
O dia cinza que chove.
Sendo a chuva a única certeza das cinzas, como a morte é da vida.
Chove a água que é a lágrima da angústia multiplicada, proporcionalmente, pela falta dessa mesma motivação.

O tempo passa parado no mesmo lugar.
Enquanto o pensamento, frenético, não pára.


Listening d*_*b Emerson, Lake, And Palmer - From The Beginning




Wednesday, March 18, 2009

A Liberdade é provisória.



Como saber o que será das coisas?
Se na sua infinidade de possibilidades, o que parece ser impossível surge dos raios de luz dos cantos da cela.
Espacapar por qual das brechas?
Escolher por qual dos rumos?
O que está fazendo da vida?
Se não mudar, seus pensamentos mudam de você.
Eles querem ser livres. Eles saem, enquanto você fica.
Eles vêem sua essência esvairecendo pelas brechas das grades.
Você se mostra sem querer aparecer.
Simplesmente pela necessidade que lhe aflinge.
Se resume na própria vontade de só ser seu "único eu".

Até que ponto algo que pode te prender, pode ser a razão da sua liberdade interior?
Será possível?
Lançada a questão, que, se concretamente respondida, solucionaria o sucesso das boas relações.
Talvez dela saísse algo parecido com a busca do amor.
Do prazer duplo em todos os âmbitos e sentidos.
Assim seria se um único momento se transformasse em uma rotina.
E se a rotina se transformasse na razão do bem maior de viver.
Tudo se transformaria em uma "rotina de prazeres".
Sonho de muitos, realização de quase 'ninguéns'.
As pessoas resistem.

Só tome cuidado pra não se enclausurar dentro de si, enquanto a liberdade está do lado de fora.
O tempo não anda.
Ele corre para os que voam nas alturas e pairam livremente sobre seus ideais.

Listening d*_*b The London Philharmonic Oschesta - All my love - Led Zeppelin


Wednesday, January 28, 2009

Seguindo viagem...


A força aparece quando você acha ter ultrapassado a concretagem do chão.
A propulsão fica maior e melhor.
A vontade de levantar e seguir surge intensamente como uma borboleta renascendo, saindo do casulo por mais uma vez.
Cada vez mais livre.
Cada vez mais crente de que o sol vai nascer de qualquer jeito quando a brisa querer te levar.
E vai se acostumar indo sem se dobrar.

Andar e voar sem querer voltar.
O copo transbordando porque o espaço é pouco e você quer ser maior que isso.

Você quer ser maior que o céu.
Fugindo do mundo de mágoas.
E deixando tudo se reinicializar.


As vielas são opções de caminhos, assim como as ruas mais perigosas, as mais calmas ou as mais trepidantes.
Também tem as mais longas, as mais curvas.
As mais claras ou escuras.

Segue na viagem porque a vida é uma passagem, e perder tempo não é um benefício pra quem quase não o tem.
Escolha melhor o caminho a fazer.
Mesmo que os tropeços façam parte, independente do percurso, a certeza de querer sair do burado é o que dá sentido pra continuação da caminhada.
Siga sempre sorrindo porque você é mais importante do que você imagina pra si mesmo.
E, se isso não bastar, você nunca vai saber o que é ser uma borboleta.

Listening d*_*b Coldplay - Everything Is Not Lost

Wednesday, December 03, 2008

Porque sempre, resta 1.

O que distigue a fraqueza da fragilidade?
O que nos é sustentável de aguentar por sermos frágeis?
O que nos é cabível de enfrentar por sermos fortes?
Diferenciar entre o justo e o injusto.

Entre a realidade da dureza e a ilusão da subjetividade do mundo imaginário perfeito.
Essa segunda é até mais fácil, o mundo é vasto.

As escolhas estão engafinhadas umas nas outras tendo todas elas seu peso diante da imaturidade que temos pra fazê-las.
Elas nos testam a todo momento.

Assim como as situações e as oportunidades.
Testam nossa fraqueza ao mesmo tempo que nossa fragilidade.
Onde não podemos desistir e onde podemos usar a vantagem de ser ser-humano.
Até onde ter coragem pra enfrentarmos nossas fraquezas?
Até que ponto ter paciência pra entender nossas fragilidades?
Vivemos sempre na dualidade, por isso somos corpo e alma.
O lado racional e o emocional.A educação e a personalidade.
O que aprendemos a ser e o que nascemos sendo.
Curioso, não?!

A dúvida só surge a partir de uma divergência, a partir, sempre, de duas coisas.
Tá, isso não é novidade pra ninguém.
Ou o fraco, ou o frágil.E isso faz uma diferença e tanto.
Como se o 3, fosse um desempate do 2.
Como se o 1, fosse a escolha, efetivamente feita.
E como é difícil resumir qualquer coisa à 1.

Porque sempre, resta 1.



Listening d*_*b Confianzas/Gotan Project

Friday, October 24, 2008

Deixando os espinhos pra trás.

Engraçado como a vida se encarrega de tudo.
Ela vai mostrando que você mesmo monta seu destino.
Vai juntando o quebra-cabeça.
E as coisas, por fim, se encaixam nos devidos lugares.
Sim, nos DEVIDOS.
Não onde nunca deveriam estar.
A gente fica preocupado em mudar a vida das pessoas, mas esquece da nossa.
Massacramos valores, ultrapassamos limites, esquecemos dos espelhos.
Descemos até o nível mais difícil daquela trilha sem linha do horizonte esquecendo do camindo de volta pra casa.

Na ilusão e pretensão de conseguir provar pra nós e pros outros que somos capazes disso.
A gente segue sem rumo, se joga de cabeça.
Cegos na busca da tal felicidade que o outro não pode te dar.
Que a história pode ser feita diferente.
Que somos mágicos, ou ainda, que somos fortes o bastante e carregaremos fardos maiores ou dores mais insuportáveis diante dos cortes dos espinhos.
Acho que daí que surgem os grandes heróis em quadrinhos.
Transportados da nossa ingenuidade.

Podemos até ser uma parcela, em algum momento, em alguma frase, em algum olhar, em alguma lembrança, em algum tropeço ou escorregão.
Mas nunca da conclusão e do lugar onde o outro quer chegar.
Vamos aprendendo assim a enxergar o caminho de volta pra casa.
Se achar em si, encontrar o caminho da subida, ver aonde está o sol.

Sua participação pode ser tão grande ou não fazer a mínima diferença do outro lado do terreno.
Você estende a mão, mas quem precisa dela não é você.Você tá indo embora, mas não pode ajudar quem quer ficar no meio do caminho e se perder.
Pode ser que tenha a chance de achar uma rota alternativa ou pode ser que não.
Pode ser que isso seja rápido, ou pode ser que não.

E lá na frente você vai lembrar que estendeu a mão, mas não teve resposta.
E quem ficou do lado de lá vai lembrar que é impossível encontrar com alguém que já foi.


Listening d*_*b Doves / Firesuite

Wednesday, October 08, 2008

Na consciência insana sobre o campo minado.


Na vida tudo tem seu risco e seu preço.
E tudo te mostra o oposto do que se espera.
Se ter dúvidas é ser privilegiado pelo mundo das idéias...
Vamos lá então descobrir se esse paraíso saturado de incógnitas por todos os lados é sempre prazeroso mesmo?!
Como se seu pé estivesse sobre uma mina:
Você sabe todas as consequencias de ter pisado ali;
Você sabe todos os resultados, se tirar seu pé;
Mas não escolheu ter pisado.
Da próxima, preste mais atenção por onde anda!
Porque depois que entrou, ou melhor, pisou, tá pisado e pronto...
Você até pode sair, mas já terá motivos suficientes para sair sequelado ou pelo menos sem algumas das partes de você.


Daí, sente a alma se perder.
Aliás, alma, esta, que daqui a algumas horas vai subir pro tal paraíso ou conhecer outras dimensões.
Você vai explodir.

De tanto pensar ou de tanto esperar pra saber o que decidirá, antes que o tempo da mina passe e você não consiga decidir mais nada.
Você vai morrer...
Dessa ou em uma próxima.
Talvez, dessa, "só" fique mutilado...Mas você vai morrer um dia.
Porque a morte é a única certeza da vida.

Daí, vem a perguntinha capciosa: Pra que pensar tanto?
Se eu vou morrer uma hora ou outra...
Tira o pé logo. E vê no que vai dar.
Você vai sair machucado, mas pelo menos vai ter tomado uma decisão.
E se de repente, a mina falhar, você vai ser a pessoa mais feliz do mundo por alguns instantes que lhe valerão a vida.
Parece fácil resolver... Mas é a sua vida em questão...
Como tantas outras questões importantes. Ou nem tão importantes assim.
Até que ponto vale a pena se preocupar?
O que é realmente importante pra nós?

Uma grande oportunidade que você não saberá, se continuar sobre o muro, se continuar com seu pézinho teimoso e seus balões pensantes eternos.
Na briga interna não existe vencedor nem perdedor, porque 'ambos será (ou serão?) você' dependendo da sua escolha.
Na verdade, você é (são) vários!!!!!
Já parou pra pensar nisso?
Pensar faz doer a cabeça.


O grande 'porém' da questão toda, é que o pensamento que defini o rumo que você toma.
Nossa, que contradição é essa toda?
Pois é... Todos são inteligentes, a gente só não sabe direcionar nossa inteligência e acaba direcionando pro lado errado ainda por cima pra ajudar...
Também, se assim o fizéssemos, ficaríamos mais loucos ainda porque a vida seria muito certa.
E o ser humano não se atrai por ausência de problemas, muito pelo contrário.
E determinar isso, vai depender, única e exclusivamente, das suas necessidades.

As vezes, deixamos a vontade de lado porque somos movidos pelo nosso falso moralismo, pelos nossos enganos, pelo nosso orgulho, pelo nosso medo, pelo nosso preconceito e por ai vai longe esse texto...

O poder da ação é que muda qualquer coisa.
E ele só acontece depois da virtude de pensar.
Pena que a gente mistura tudo e acaba nem fazendo um, nem outro.
Ou demasiadamente um, e irrisóriamente o outro...
Ou nunca pensa, ou pensa demais.
Só não deixe o pensamento ser tão longo a ponto de nunca deixar a sua ação aparecer.
Você pode perder muitas chances de viver e acabar morrendo por burrice mesmo.


d*_*b Listening - Lost Souls/Doves

Tuesday, August 26, 2008

Levantar, andar e sonhar.

Se jogar pra ver o mar.
Saudade.

Ela sempre faz de tudo pra dispersar.
Quando a brisa do vento passa, e os cabelos embaraçados atrapalham sua visão.
Disfarçando, ela senta e espera o sol nascer, na sua plenitude das cores, na sua magestosa amplitude.
As gaivotas desenham suas perguntas no céu.
As lembranças entre as notas, a melodia do som das ondas, derretando a graça dos seus desejos na chuva.

O tempo que não passa, mas não pára.
E o abismo se abre diante da força das águas.
O coração dela bate fraco enquanto os momentos voam no pensamento.

Ela levanta.
Deixa os raios secarem as lágrimas que a chuva deixou.
Deixa a luz brilhar no seu rosto que a nuvem apagou.
E, despedaçada, anda juntando as conchas que o mar carregou.
Ela anda.
Sabendo que vai levar tudo o que se passou.
Porque tudo daquela paisagem sempre valeu a pena...

Ela sonha.
Sentindo que daquela caminhada muitas paisagens ainda virão, enquanto, entre passos, ela transforma seu interior.


Listening d*_*b The Hardest Part/ Coldplay

Friday, August 22, 2008

Porque o hoje não se repete.


É engraçado como o ser humano sente atração pelo caos, pelo errado, pelo difícil.

E apesar dos percalços da vida, ainda busca aumentar mais as dúvidas, pra somar as dúvidas já existentes (que não são poucas).

Insistir no erro e querer provar pra si que sempre as coisas podem ser diferentes, mesmo achando as mesmas respostas.

Tudo isso na grande tentativa de retomar aqueles momentos que jamais serão os mesmos, porque de fato o que se foi, é, literalmente, passado, fato...E ponto.

Vamos admitir e encarar.


O hoje não se repete.
O hoje traz a raíz nova, pra novo cultivo, pra novos frutos.
Faz sua vontade de ser alguém melhor, renascer.
Faz você enfrentar os medos pra querer ter certeza de que os riscos de dar certo podem valer muito a pena, assim como a probabilidade de dar errado, ser, mais uma vez, um aprendizado.

O sentimentalismo faz você querer acreditar muito no que só você sente, enquanto parece que nada é recíproco, que os outros não sentem nada além da sua presença.
A esperança de querer ouvir sempre seu lado mais ser-humano de ser.

A vida ilude muito, mas é descoberta por nós, aos poucos, lentamente.
Sendo, as direções, muito mais importantes do que a velocidade.

Há momentos em que atitudes precisam ser tomadas, mesmo que sejam contra sua própria vontade de ainda se iludir em ser ser-humano.
Há momentos em que você não percebe que suas escolhas agora, definem a direção e a velocidade das suas mudanças e do seu futuro.


Listening d*_*b Blind Melon / Changes

Thursday, June 26, 2008

Tudo encontra o seu lugar...

Hora de novas perspectivas sempre chegam na vida depois das grandes tempestades.
Não direi que nasce o sol, porque ele sempre está lá.
A gente sabe que o tempo é o senhor de todas as coisas,
contanto que seja usado e abusado da melhor forma.
Todas as formas tem seus encaixes, lugares e seus espaços... Certos ou errados.
Sabiamente só não tente acreditar nas promessas perdidas,
na ilusão do mundo encantado dos sonhos, porque lá é lindo, mas não existe.
Assim como, sabiamente, eu te digo que não resistimos e acabamos por acreditar em tudo isso.

Nada apaga sensações.
Nada é fracasso quando se passa pela covardia do medo de tentar ser ser-humano.
Enfrentar o que é mais forte do que você, mesmo que isso transpasse aquilo que nunca fez, ou o que nunca foi.

Mas depois de viver de emoções, você vê que são sempre os mesmos sonhos.
Hora que é preciso abrir mão dos vícios pela sua própria vontade de esquecer e pelo seu amor próprio.
E deixar que o tempo carregue as cinzas.
Amplitude, integridade, e você se encontrando com 1/3 do que seja você mesmo.

Já é uma evolução.
Acredite.

A espiritualidade que foi deixada pra trás dentro das loucuras de alguém que se perdia na multidão, agora tenta voltar pra alma, analisando tudo do alto da montanha.

Portas abertas, oportunidades ao vento, e tudo vai encontrando seu lugar...
As pessoas, de longe, ficam pequenininhas.
Belo truque.
Mas antes, sempre é necessário se perder, surpreender, se iludir, enlouquecer, fugir.

Porque depois...
Tudo encontra seu lugar...
Mesmo que seus sentidos sejam rebeldes, que suas emoções nunca mais sejam as mesmas...
Tudo encontra seu lugar...
Mesmo que no vão entre a alma e a razão.
Tudo encontra o seu lugar...

Listening d*_*b Duffy/ Delayed Devotion

Linha bamba

Respirar para inspirar e esperar. Em um suspiro me reviro no tempo. Daquilo que poderia ser, mas sei que não devo. Será que espero? Ou me de...